Combustível sustentável de aviação (SAF): qual o papel das empresas?

6 de novembro de 2026

A redução das emissões associadas às viagens aéreas é um dos desafios enfrentados por organizações que estabeleceram metas de sustentabilidade.

Nesse contexto, o combustível sustentável de aviação - conhecido pela sigla SAF - vem ganhando espaço nas discussões sobre o futuro do transporte aéreo.

Um estudo publicado pela IATA em parceria com Airbus e Accenture estima que compras corporativas de certificados relacionados ao SAF podem apoiar entre 1 milhão e 1,9 milhão de toneladas do combustível em 2030, ante cerca de 323 mil toneladas estimadas em 2024.

O potencial, entretanto, depende de preço, regras claras e mecanismos confiáveis de rastreabilidade.

O que é SAF?

SAF é a sigla em inglês para Sustainable Aviation Fuel, ou combustível sustentável de aviação.

Ele é produzido a partir de matérias-primas e processos alternativos aos combustíveis fósseis convencionais e pode reduzir as emissões associadas ao ciclo de vida do combustível.

A tecnologia é considerada uma das principais frentes para reduzir o impacto climático da aviação, mas ainda enfrenta desafios de oferta, custo e escala.

Segundo a IATA, a produção global esperada para 2026 representa apenas cerca de 0,8% do consumo mundial de combustível de aviação.

Como as empresas podem apoiar o uso de SAF?

Uma empresa que compra passagens normalmente não escolhe diretamente o combustível utilizado em determinada aeronave.

Por isso, surgiram mecanismos que permitem às organizações apoiar a utilização do SAF mesmo quando o combustível físico é empregado em outro voo ou aeroporto.

Entre essas soluções estão os certificados de atributos ambientais associados ao combustível.

Eles permitem registrar e atribuir benefícios ambientais a compradores corporativos, desde que existam mecanismos capazes de garantir a integridade da operação.

Como funcionam os certificados de SAF?

Um dos modelos utilizados é conhecido como book and claim.

De forma simplificada, o SAF pode ser utilizado fisicamente em determinada operação, enquanto seus atributos ambientais são registrados e atribuídos a uma empresa que ajudou a financiar aquela utilização.

Isso possibilita ampliar a participação corporativa mesmo quando não existe SAF disponível em todos os aeroportos.

A própria IATA destaca que a credibilidade desse sistema depende de emissão e utilização únicas dos certificados e de uma cadeia de rastreabilidade auditável.

Rastreabilidade é fundamental

Um dos principais riscos é a dupla contagem.

Se duas empresas reivindicarem o mesmo benefício ambiental, o sistema perde credibilidade.

Por isso, mecanismos de SAF precisam oferecer rastreabilidade suficiente para demonstrar:

  • origem do atributo;
  • quantidade associada;
  • registro;
  • transferência;
  • utilização;
  • prevenção de dupla contagem.

Para empresas, essa documentação deve fazer parte da avaliação antes da contratação.

O que avaliar em uma proposta relacionada a SAF?

Algumas perguntas podem orientar a análise:

  • qual metodologia é utilizada?
  • quem emite o certificado?
  • onde ele é registrado?
  • como a rastreabilidade é garantida?
  • como se evita dupla contagem?
  • qual documentação será entregue?
  • quais padrões de contabilização são adotados?
  • como o benefício se relaciona às metas ambientais da empresa?

É recomendável que a área responsável pela sustentabilidade participe desse processo junto à gestão de viagens.

Sustentabilidade precisa fazer parte da política de viagens

SAF é uma das possibilidades, não a única.

Uma política de viagens pode considerar também necessidade real do deslocamento, consolidação de agendas, alternativas de transporte, escolha de itinerários, dados de emissões e metas ambientais corporativas.

O objetivo é conectar as decisões de viagem à estratégia mais ampla da organização.

Como a Evotur pode apoiar sua empresa

A gestão de viagens está cada vez mais ligada a decisões financeiras, operacionais e ambientais.

A Evotur pode ajudar empresas a organizar informações de viagem e avaliar alternativas capazes de incorporar critérios de sustentabilidade ao programa corporativo.

Em iniciativas relacionadas ao SAF, transparência, documentação e rastreabilidade devem estar no centro da decisão.

Fontes